Interpretação e comparação de microvestígios na solução de crimes

A Coordenadora Social e de Comunicação da InterForensics 2021, Perita Criminal Lílian de Melo Barbosa, conduziu o bate-papo da Forensics Live desta semana, que teve como destaque a presença do Geólogo Fábio Augusto da Silva Salvador, Doutor em Engenharia Mineral e Coordenador da Conferência de Palinologia, Tricologia, Micologia e Pedologia Forenses – Novas Fronteiras em Microvestígios da IF2021.

Depois de fazer um recorte de sua vida profissional – iniciada com a Graduação em Geologia – até a direção técnica científica da Polícia Federal (2019-2020), Salvador definiu o Geólogo como prospectador por vocação em busca de coisas escondidas, não aparentes. Contou sobre a experiência de dez anos na Polícia Científica de São Paulo, atuando como Perito Criminal em alguns casos associados à Geologia, como crimes ambientais e atividades relacionadas à mineração, bem como acidentes de trânsito, reconstituições e crimes contra o patrimônio.

“Sou um Geólogo que trabalha com locais de crimes e tenho desenvolvido meu trabalho nos últimos 17 anos conjugando as duas ciências, Criminalística e Geologia, fazendo a análise e a correlação entre vestígios de solos coletados em cenas de crime”, explicou.

Ao se definir como “prospectador por natureza”, Salvador lembrou de uma breve passagem como garimpeiro de diamantes no Sul da Bahia. Destacou, ainda, que a Geologia Forense faz associações seguindo o princípio de que todo o contato deixa uma marca ou leva uma marca de um lugar para o outro. “O solo é o primeiro material que contém informações dinâmicas potenciais relacionadas a crimes, ou seja, microvestígios, como tintas, fibras, manchas, plásticos, caliças, vidros, fragmentos metálicos, pólen, fungos e pelos”, citou. “Quando muito bem observados e interpretados, os microvestígios ocultos encontrados no solo podem levar à solução de crimes como homicídios”, pontuou.

O Coordenador Científico da IF2021 explicou que o trabalho do Geólogo Forense inicia com a observação visual feita com o uso de lupas normais, especiais e até as microscópicas. A seguir, faz-se a coleta de materiais (orgânicos e inorgânicos) e a separação destes, utilizando as metodologias de catação ou peneiramento dos vestígios. A partir daí, começa a análise e caracterização dos microvestígios para que sejam comparados com algum tipo de padrão já registrado em bancos de dados. “Essa fase do processo é importante, pois ocorre o confronto com informações catalogadas”, observou, citando a importância de potencializar o banco de dados criminalísticos existente no Brasil, que conta ainda com apenas 100 mil amostras-perfis.

Ao finalizar sua apresentação na Forensics Live, Salvador comentou sobre um caso em fase de finalização de laudo, referente a um homicídio ocorrido em uma praia de Santa Catarina. Nesta situação, foi aplicada a comparação de microvestígios para a resolução do crime.

Conteúdos relacionados a esta temática farão parte da Conferência de Palinologia, Tricologia, Micologia e Pedologia Forenses – Novas Fronteiras em Microvestígios, inserida na programação da IF2021.

O primeiro lote de inscrições é válido até o dia 31 de julho (inscrições aqui).