Isótopos estáveis são verdadeiros rastreadores no trabalho da perícia forense

O Perito Criminal Federal Rodrigo Mayrink (Coordenador Científico da IF2021), conduziu a Forensics Live realizada nesta semana e que contou com a presença da Profa. Doutora Gabriela Nardoto, Coordenadora da Conferência de Isótopos Forenses da IF2021. Na pauta, os isótopos estáveis e sua importância e aplicação no trabalho da perícia forense.

Ao se definir como grande entusiasta do assunto, a professora da Universidade de Brasília classificou os isótopos estáveis como mágicos. “Estão em todos os lugares, em todos os materiais, dentro e em volta das pessoas, dão cores e sabores a tudo. Mas, ao mesmo tempo, não têm cheiro e são invisíveis ao olho humano, porque são variantes de um mesmo elemento químico e se diferem entre si pela massa, proporção na natureza, reação química e aspecto geográfico”, explicou.

Segundo ela, os isótopos estáveis são traçadores ou rastreadores da origem geográfica de um determinado material de interesse. “Podemos considerá-los como uma espécie de GPS natural, presentes em qualquer vestígio biológico ou físico, como unhas, cabelos e tecidos”, exemplificou.  

Área que se consolida nas Ciências Forenses nacionais devido à importância como método de investigação e elucidação de crimes, os isótopos estáveis são estudados há mais de 30 anos e desde então aplicados nas ciências naturais como Hidrologia, Biologia e Geologia, entre outras.

O rol de possibilidades que engloba a isotopia na resolução de casos criminais é muito amplo. De acordo com ela, na Europa são usados na investigação de adulteração e fraude de alimentos. Nos Estados Unidos, na questão de desaparecidos de guerra e drogas ilícitas, enquanto que na Austrália, no rastreamento de moedas e documentos falsos. “No Brasil, a metodologia isotópica tem sido uma ferramenta trabalhada em todas as Ciências Forenses, aplicada também na investigação de crimes ambientais, tráficos de animais silvestres, extração ilegal de madeira e caça, principalmente, na Região Amazônica”, pontuou Gabriela. 

Conferência de Isótopos Forenses 

Rodrigo Mayrink destacou que área da isotopia forense se desenvolveu tanto nos últimos dois anos que mereceu uma Conferência específica na IF2021, coordenada por Gabriela Nordato, com a colaboração dos Peritos Criminais Federais Jorge Freitas e Ricardo Mascarenhas, junto com o Professor Vladimir Eliodoro.

A Conferência de Isótopos Forenses é composta por um minicurso (apresentação de cases e abordagens interativa com os participantes) e de palestras com especialistas, entre eles, o Professor Luiz Martinelli, da Universidade de São Paulo (USP), pioneiro na utilização dos isótopos estáveis nas Ciências Forenses, e do Professor João Paulo Sena Souza, autoridade no mapeamento geográfico dos isótopos. Também serão apresentados casos reais da aplicação da isotopia forense, interagindo com temas como fauna (tráfico de animais silvestres) e ambiental (poluição).

RENIF

Gabriela também comentou na Forensics Live sobre a atuação da Rede Nacional de Isótopos Forenses (RENIF), entidade que ela preside e que atua junto à sociedade civil e as forças policiais, na implementação da ferramenta isotópica no combate ao crime. Lembrou, ainda, que a ideia de criar uma sociedade científica especialmente dedicada aos isótopos forenses nasceu em maio de 2019, durante a InterForensics 2019, realizada em São Paulo.

Ao finalizar sua apresentação, a Professora mencionou suas expectativas em relação ao desenvolvimento da metodologia isotópica e ao mercado de trabalho no Brasil no futuro. “A abrangência quanto aos recursos humanos é bastante ampla e pode congregar pesquisadores, peritos criminais e atuantes na área de isótopos forenses, bem como a presença da iniciativa privada, de universidades, startups e incubadoras que propiciem o aprimoramento de métodos de detecção e redução de crimes no país”, concluiu.

O primeiro lote de inscrições é válido até o dia 31 de julho (inscrições aqui).